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Essa de fato é uma pergunta muito difícil de ser respondida e é a grande busca da humanidade!
Normalmente as pessoas nos rotulam e limitam a nossa existência em sermos, mães, filhas, esposas, irmãs, amigas e no meu caso, bailarina, terapeuta, professora e por aí vai.
Minha vida não se resume em nenhum desses papéis que executo no meu dia a dia. Minha vida se resume em ser tudo isso sim, da melhor forma possível, mas se resume em ser muito mais do que isso.
O que eu vejo hoje dentro do Universo da Dança do Ventre, muito me entristece. Vejo profissionais e até mesmo alunas, numa luta muito cruel contra o tempo, contra todos os que cruzam seus caminhos e, até mesmo contra si mesmas. Fala-se muito em técnica, em beleza, em roupa, numa ética falsa que ninguém segue e, nada se prega sobre essência interior, amor, amizade, autoconhecimento, respeito e até mesmo arte, no verdadeiro sentido da palavra.
Não, definitivamente eu não sou apenas bailarina ou professora de dança do ventre, sou um ser humano. Recebo muitos emails de todos os cantos do Brasil, emails carinhosos, para os quais dedico muito respeito e atenção, assim como recebo emails perguntando o nome de todas as professoras que me formaram e o tempo em que fiquei com cada uma delas. De fato tenho muito orgulho de cada uma das mestras que tive em meu caminho, mas minha formação como mulher, como professora, como amiga e como bailarina independe de Escolas ou de Rótulos.
Vejo mulheres que já foram excelentes bailarinas e professoras, mas que dedicaram sua existência às vaidades de ser um ícone de beleza e sensualidade e depois que o tempo passou, nada restou, pois ela era apenas isso, ela passava por cima de tudo e de todos para ser isso. Ao final, sua vida terminou em solidão, sua beleza física se foi como se vai tudo o que o tempo se encarrega de levar.
Eu quero viver cada instante de minha vida intensamente, quero ser amada e não odiada, quero formar em meu papel de professora, bailarinas maravilhosas sim, mas acima de tudo, mulheres de bem com a vida, com a auto-estima inabalável e que saibam respeitar e amar muito aquilo que fazem e as pessoas que cruzam seus caminhos. Juntas podemos tudo, sozinhas, podemos muito pouco.

Enfim, quero muito ser sua amiga, te ensinar o que eu sei, mas quero passar pela sua vida, como sendo muito mais que isso, quero passar pela sua vida, como ser humano. Sou mulher como você e posso vivenciar aquilo que você vivencia, todas as alegrias e os dissabores, por isso minha relação contigo é real e humana, não estamos aqui para sorrir quando estamos tristes ou fingir para tornar nossa relação um comércio ou mais um jogo de vaidades. Quero muito ser sua amiga e se precisar de mim, estarei aqui com todos esses papéis com os quais me rotulam, mas saiba que dentro de mim estarei aqui como MUITO MAIS QUE ISSO!